"Alfabeto Pessoal" (Gaveta de Nuvens)

Publicado a 21/01/2015, 15:34 por Luis Pitta -org-   [ atualizado a 03/01/2017, 08:42 ]
Cria o teu próprio "Alfabeto Pessoal".
Inspira-te a partir de este modelo, criado pelo Professor Luís Prista.



Alfabeto Pessoal


Este alfabeto pessoal é somente um exemplo. Quase se poderia dizer que é o alfabeto de um aluno virtual, um protótipo, já que em cada letra do abecedário figura um contributo de um aluno, extraído de uma centena de alfabetos pessoais completos. (Publicado no Voz Activa.)

Luis Prista, Professor de Português.

A, de América (Estados Unidos da) — O país que gostaria de visitar e, talvez, definir como morada principal, pela diferença de mentalidades e pela própria dimensão territorial. (Carolina Carrêlo, 10.º 6)
B, de Bonecas — Normalmente, as raparigas, quando são mais novos, gostam de ‘brincar às bonecas’ ou com outros brinquedos femininos, mas, no meu caso, nunca tive grande interesse nisso, preferia sempre brincar com “legos” ou outros brinquedos. Isto deve-se, provavelmente, ao facto de ao facto de eu ter um irmão com uma idade muito próxima da minha. (Filipa Henriques, 10.º 4)
C, de Cão — O Bongo, o meu animal de estimação, que, estranhamente, simpatiza com cágados e lagartos. (Beatriz Miguel, 10.º 1)
D, de Damasco — Desde pequena adoro este fruto. Lembro-me de quando andava na Escola Primária n.º 52 e íamos apanhá-los para logo, de imediato, os comermos. (Leonor Marques, 10.º 3)
E, de «Era uma vez...» — Expressão que se sempre me acompanhou, o início de uma história, de uma aventura, de um conto de fadas, que só têm fim quando quisermos. (Inês Pires, 10.º 1)
F, de Família — A família é o que mais importa para mim: ter pessoas que estarão sempre disponíveis para nós; que, para sempre, nos amarão incondicionalmente, independentemente do que façamos, é uma enorme bênção. (Márcia Pereira, 10.º 9)
G, de Galinhas — Durante dois anos, vivi no Ribatejo, mais propriamente, em Marinhais. E aí tínhamos galinhas. Adorava correr atrás delas, dar-lhes comida e até falar com elas. (Ana Rato, 10.º 9)
H, de Holofotes — Usados para iluminar e/ou focar alguma coisa, que pode tornar-se o centro das atenções, o que, no meu caso, não consideraria agradável. (Paulo Machado, 10.º 9)
I, de Intercidades — Comboio que apanhava até ao Entroncamento, onde, depois, fazia um transbordo até Tomar. Foi também o da primeira viagem que fiz sozinho, marcando assim o início da minha busca por inependência. (Francisco Almeida, 10.º 3)
J, de Joaninha — Mal escrevi a letra, a primeira coisa que me veio à cabeça foi a tradicional canção  que a minha mãe me cantarolava sempre que avistávamos uma joaninha: «Joaninha voa, voa, que o teu pai foi para Lisboa». (Marta Brito, 10.º 3)
K, de Kabalevsky — Kabalevsky é um dos meus compositores favoritos, de tal forma que ainda hoje me lembro da primeira peça para piano deste compositor que toquei, «Tocatina». (Luís Coutinho, 10.º 1)
L, de Lambe-botas — Odeio lambe-botas pois não sabem trabalhar a sério e apostam em bajular outras pessoas, de modo a que estas lhes deem o que que querem. (Manel, 10.º 9)
M, de Madalena — Nome próprio da pessoa que mais amo e em quem confio. A pessoa que me conhece como ninguém mais. A minha mãe. (Filipa Pires, 10.º 6)
N, de Não — Palavra sobre que me interessou pensar, pois detesto ouvi-la, apesar de a dirigir a muita gente. (Pedro Ramos, 10.º 3)
O, de Omitir vs. Mentir — Há uma grande controvérsia sobre o que diferencia estas duas palavras, pelo menos no meu grupo de amigos. Muitos deles me dizem que «omitir» é a mesma coisa que «mentir». E eu discorso totalmente. Se não conto uma coisa a um amigo, não lhe estou a mentir sobre nada, mas apenas a esconder-lhe algum assunto. No entanto, se ele me perguntar e a minha resposta não estiver de acordo com a verdade, então, sim, estarei a mentir. (Inês Miranda, 10.º 4)
P, de Palco — Onde o meu mundo muda. Esqueço tudo o resto. O que importa está ali, tenho um único momento para brilhar e para reflectir o meu trabalho. O palco é tudo: faz parte de mim, mas não é a minha vida, porque ali é aquilo que pretendo que seja. (Núria Trigo, 10.º 4)
Q, de Quarta-feira — Deviam instaurar em Portugal o que já se faz em França há muito: não haver aulas à quarta. Acho que era bom tanto para alunos como para os professores. (Mariana Costa, 10.º 6)
R, de Ritmo — A palavra «ritmo» faz-me lembrar os anos em que estive no Conservatório, onde era preciso tê-lo em qualquer actividade que fosse. (Marta Vassalo, 10.º 3)
S, de Sardoal — Terra do meu coração, que completa metade da minha pessoa, onde tenho amigos, primos, casas de parentes e onde nunca me cansa estar em grupo com a família, pois há sempre boa disposição e ambiente festivo. Gosto das ruas da vila, da casa e do campo dos meus avós, de estar com o meu primo Duarte. (Francisco Santos, 10.º 1)
T, de Tejo — Rio de Lisboa, onde o meu pai costuma levar-nos. Ficamos umas horas a olhar para o rio, sem confusões ou stress. Revigorante. (Luísa Morgado, 10.º 3)
U, de Untar — Seria adequado assinalar que não me destaco na cozinha, mas aqui está um procedimento que me traz boas notícias: sempre que vejo a minha mãe a untar um tabuleiro, é sinal de bolo para o lanche nos dias seguintes. (Daniel Brojo, 10.º 4)
V, de Voleibol — O meu desporto favorito, praticado por duas equipas de seis elementos, com uma rede e uma bola. Jogo vólei no Sagrado e, o ano passado, a minha equipa foi vice-campeã nacional. Sem este desporto, a minha vida seria completamente diferente. (Inês Cruz, 10.º 1)
W, de «Wie dit kan lezen staat te dichtbij» — ‘Quem consiga ler isto está próximo.’ É o que tenho escrito numa t-shirt oferecida pelo meu primo holandês, Geertjan. É também, muito provavelmente, a frase mais longa que sei dizer nesta língua que a muitos parece chinês. (João Scheltinga, 10.º 9)
X, de Xarope — Não me lembrei de mais nada, não tive outro remédio. (Francisco Batista, 10.º 9)
Y, de Yvette Centeno — Avó e escritora, é para mim um exemplo de vida. (Marta Moreira, 10.º 4)
Z, de Zaragata — Nunca me vou esquecer dos livros, já velhotes, do Astérix e do Obélix, que eram do meu pai. Naquela pequena aldeia gaulesa, tudo era fácil. Achava maravilhoso o facto de, mesmo depois de uma boa zaragata (que, a propósito, começava invariavelmente com com um peixe na cara de alguém), nunca ninguém se magoar e continuarem todos amigos e companheiros. (Catarina Nunes, 10.º 4)


Retirado da Gaveta de Nuvens em Janeiro de 2013: http://gavetadenuvens.blogspot.pt/2011/09/lingua.html