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Coronavírus: Uma mensagem de Bruno Nogueira

Publicado a 12/03/2020, 09:56 por Luis Pitta -org-   [ atualizado a 13/03/2020, 10:03 por Luis PITTA ]
12 março 2020

Bruno Nogueira partilhou hoje nas redes sociais um texto onde revela as medidas que implementou em relação ao COVID-19, revelando que está em casa com a sua família e que só sai para o estritamente necessário.

“Não pretendo dar lições de moral porque não tenho estudos para isso. Também não pretendo criticar ninguém, porque sei que a crítica mal digerida pode incendiar o efeito contrário. Pretendo única e simplesmente partilhar o que tenho feito nos últimos dias, sirva a quem servir”, começa por escrever.

Mais à frente revela os cuidados que está a ter: “Tenho a família resguardada em casa, saímos só para o estritamente necessário, e mantemos a calma. Há uma coisa importante no meio disto tudo: a negação do problema não o elimina, só o incendeia. Não é por me sentir saudável que sigo a vida como se nada estivesse a acontecer. Posso a qualquer momento contrair o vírus, e antes de ter sintomas espalhar a quem não tem sistema imunitário forte o suficiente para o combater”, revela.

Bruno Nogueira lança ainda um apelo a quem o segue: “Não ceder à histeria nem à indiferença, são os dois contagiosos. Acreditar que todos juntos ultrapassaremos isto. São tempos confusos, mas a luta será ganha. Não olhar para os números de infectados em Portugal e achar que são poucos e que “ainda não é tempo de agir”. É agora, está a acontecer. Nesta história não há nós e eles, há todos. E juntos, não tenho dúvidas disso, vamos escrever o melhor final que esta história pode e merece ter”, conclui.

Aqui fica uma cópia do texto original:

Não pretendo dar lições de moral porque não tenho estudos para isso. Também não pretendo criticar ninguém, porque sei que a crítica mal digerida pode incendiar o efeito contrário. Pretendo única e simplesmente partilhar o que tenho feito nos últimos dias, sirva a quem servir. O desconhecido dá medo, é o escuro das crianças. No entanto, há já coisas que sei que devo fazer para evitar que os números de casos se multipliquem, e estou a fazer a minha parte. Antecipar, diria que é uma boa palavra. Antecipar, para não remendar o pior dos cenários.

A contenção não é cobardia, é trunfo.

Tenho a família resguardada em casa, saímos só para o estritamente necessário, e mantemos a calma. Há uma coisa importante no meio disto tudo: a negação do problema não o elimina, só o incendeia. 

Não é por me sentir saudável que sigo a vida como se nada estivesse a acontecer. Posso a qualquer momento contrair o vírus, e antes de ter sintomas, espalhar a quem não tem um sistema imunitário forte o suficiente para o combater. 

Isto não é sobre mim, é sobre uma coisa maior do que eu. É sobre nós. E é esse degrau mental que me faz ter consciência que a minha prioridade tem de ser colectiva, e não minha e do meu espelho. Não ceder ao pânico, o pânico é um vírus que mata por dentro. Faço as compras para os dias que se seguem, e não para os meses que estão por vir. 

Há idosos e pessoas com menos disponibilidade financeira que precisam de prateleiras de supermercado que não estejam repletas de medo. Cancelei viagens ao estrangeiro que tinha no final deste mês. Perdi dinheiro, ganhei tempo. Não acontece só aos outros. Os outros somos nós. Hoje mais do que nunca. Mantenho as crianças informadas, não multiplico o que leio na imprensa nem faço vista turva. Filtro.

Não ceder à histeria nem à indiferença, são, os dois, contagiosos. Acreditar que todos juntos ultrapassaremos isto. São tempos confusos, mas a luta será ganha. Não olhar para os números de infectados em Portugal e achar que são poucos e que “ainda não é tempo de agir”. É agora, está a acontecer.

Nesta história não há nós e eles, há todos. E juntos, não tenho dúvidas disso, vamos escrever o melhor final que esta história pode e merece ter.


Retirado de www.instagram.com/corpodormente no dia 12 março 2020